quarta-feira, 10 de março de 2010

O Brincar

A Brincadeira e o Jogo na Educação Infantil!




Este foi um trabalho apresentado na disciplina de Educação Infantil, durante o 4º Período na Uneb - Juazeiro - Bahia. Fiquei muito feliz em encontra-lo nos meus arquivos e resolvi partilhar com vocês... Espero que gostem.











Algo sagrado na vida de uma criança é a brincadeira. A importância do ato de brincar é tanta que a sua falta pode resultar num adulto inibido e incapaz de realizar seus desejos e fantasias. “É na fase do brincar que se dá a delineação psíquica de um dos pilares da criatividade de todo ser humano. O brincar é universal, saudável e facilita a comunicação consigo e com os outros, propiciando experiências de imaginação e criatividade inéditas”. Observa a psicóloga Kelly Cristina Arrigatto Gonçalves.



















Brincar é fonte de lazer, mas é, simultaneamente, fonte de conhecimento; é esta dupla natureza que nos leva a considerar o brincar parte integrante da atividade educativa. Além de possibilitar o exercício daquilo que é próprio no processo de desenvolvimento e aprendizagem, brincar é uma situação em que a criança constitui significados, sendo forma tanto para a assimilação dos papéis sociais e compreensão das relações afetivas que ocorrem em seu meio, como para a construção do conhecimento.











Na educação infantil, é difícil estabelecer um horário para a brincadeira e um horário para a aprendizagem. Hoje sabe-se que a criança aprende brincando. O mundo em que ela vive é descoberto através de jogos dos mais diversos tipos que vão dos mais simples de encaixe às mais curiosas brincadeiras folclóricas. O jogo, para a criança, é o exercício e a preparação para a vida adulta. É através das brincadeiras, seus movimentos, sua interação com os objetos e no espaço com outras crianças que ela desenvolve suas potencialidades, descobrindo várias habilidades.











Os métodos de ensino foram a preocupação dos educadores durante anos. Não se dava praticamente nenhuma importância para a maneira em que o aluno assimilava os conteúdos e se a aprendizagem era realmente eficaz. Atualmente, a preocupação está em descobrir como a criança aprende. O professor pode usar uma estratégia de ensino excelente, na sua visão, mas se não estiver adequada ao modo de aprender da criança, de nada servirá. Toda criança gosta de brincar. Então, se a criança aprende brincando, por que então não ensinarmos da maneira que ela aprenda melhor, de uma forma prazerosa e, portanto, eficiente?







A utilização de certos jogos e brincadeiras como facilitadores na aprendizagem, na educação infantil, são sem dúvida, a solução para se obter resultados positivos no processo de ensino – aprendizagem das crianças. Mas, é importante que se tenham bem definidos os objetivos que queremos alcançar quando trabalhamos como o lúdico, e ter cuidado também com as brincadeiras que vamos mediar, para que esta esteja ligada ao momento correto do desenvolvimento infantil.









Como já sabemos, os brinquedos e as brincadeiras são fontes inesgotáveis de interação lúdica e afetiva. Para uma aprendizagem eficaz é preciso que o aluno construa o conhecimento, assimile os conteúdos. E jogo é um excelente recurso para facilitar a aprendizagem. Neste sentido, CARVALHO afirma que:













"desde muito cedo o jogo na vida da criança é de fundamental importância, pois quando ela brinca, explora e manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de esforços físicos se mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de liberdade portanto, real valor e atenção as atividades vivenciadas naquele instante." (1992,p14)



E acrescenta, mais adiante:

"e o ensino absorvido de maneira lúdica, passa a adquirir um aspecto significativo e afetivo no curso do desenvolvimento da inteligência da criança, já que ela se modifica de ato puramente transmissor a ato transformador em ludicidade, denotando-se portanto em jogo."(1992,p28)











As ações com o jogo devem ser criadas e recriadas, para que sejam sempre uma nova descoberta, e sempre se transformem em um novo jogo, em uma nova forma de jogar. Quando brinca, a criança toma certa distância da vida cotidiana, entra em seu mundo imaginário e ilusório, não estando preocupada com a aquisição de conhecimento ou desenvolvimento de qualquer habilidade mental ou física.





O que importa, neste caso, é o processo em si de brincar, algo que flui naturalmente, pois a única finalidade é o prazer, a alegria, a livre exploração do brinquedo. Diante dessas informações sobre o prazer de se aprender brincando, sobre a facilidade que o professor tem em conduzir uma aula, partindo da curiosidade dos alunos, atualmente, muitos educadores pensam que dinamizar as suas aulas utilizando jogos e brincadeiras é pura "perda de tempo". Todavia é fundamental conscientizar esses professores da importância do brincar. Mas como fazê-lo?







O brincar sendo direcionado, seguindo uma linha de aprendizagem para o alcance de objetivos é o caminho. Torna-se importante levar o educador a refletir sobre a sua prática pedagógica no que diz respeito à utilização de jogos e brincadeiras, no decorrer de suas aulas, e também de buscar informações, sobre a prática de ensino de alguns educadores que trabalham com crianças e que conciliam as suas aulas com os jogos e com as brincadeiras. É importante também investigar sobre algumas brincadeiras e jogos que, ainda que pareçam sem importância para os adultos, testam diversas habilidades e conhecimento da criança.

Exemplo de episódio verídico:





No parque, crianças de 4 anos brincam com areia. Uma delas se aproxima da professora e oferece "o bolo de chocolate" que havia feito com areia:



__ Professora, experimenta. Fui eu que fiz.

__ Hum! Que delícia! Mas agora me deu sede. Você não quer fazer um suco para mim?

__ Tá bom. A criança mistura água com um pouco de areia num copinho de danone.

__ Professora, olha o suco.

__ Do que é?

__ É de laranja.

__ Que tipo de laranja?

__ Laranja – lima.

A criança volta e faz outro bolo, só que agora com enfeites de folha de árvore, e o oferece à professora.

__ Você só sabe fazer doce?

__ Não.

__ Então eu quero um salgado.

__ Eu vou preparar um salgadinho doce.

A criança volta com várias bolinhas de areia nas mãos.

__ Obá! Que salgadinho é esse?

__ Bolinha de queijo.

A professora fingindo comer o salgadinho oferece-o a outra criança:

__ Quer uma, Matheus?

__ Eu não!!! __ responde Matheus.

__ Ah! Nós come de mentirinha __ diz a primeira criança.



(Episódio extraído do relatório de estágio de Juliana Nogueira, aluna do curso de Magistério, 1993)







No episódio citado acima percebe-se claramente que, a professora ao passar a fazer parte da brincadeira que surgiu naturalmente de uma aluna, aproveitou a mesma para criar situações de aprendizagem: ao perguntar se a menina só sabia fazer doce, de que fruta era o suco, entre outras. Assim a professora explorou o brincar, enriquecendo-o, possibilitando maior organização e significado.









Sem dúvida, o jogo tem um valor de formação de caráter excitante e também esforço voluntário, pois trabalha a nossa atenção, concentração e conhecimento. Com a criança não é diferente. Tendo como característica universal a brincadeira, a criança, através do brincar e do jogo, faz suas próprias descobertas, testa seus limites, aprende regras básicas de convivência e desenvolve o emocional e o cognitivo. Vimos através do exemplo prático que a criança aprende brincando, pois a brincadeira é algo sem "compromisso" que se realiza naturalmente, sem cobranças.





Segundo HAIDT (2000), o jogo é uma atividade física ou mental organizada por um sistema de regras. É uma atividade lúdica, pois se joga pelo simples prazer de realizar esse tipo de atividade. Para o autor, quando se está brincando com um jogo, nós nos preocupamos exclusivamente com o prazer que este nos proporciona, atentamos para as regras e, no final se saíram vencedores ou perdedores. Mas, analisando profundamente esta questão, a participação em jogos contribui e muito para a formação de futuros cidadãos conscientes, como o respeito mútuo, a solidariedade, a cooperação, a sinceridade, a obediência às regras, senso de responsabilidade, entre outros.





Sem dúvida, o jogo tem um valor de formação de caráter excitante e também esforço voluntário, pois trabalha a nossa atenção, concentração e conhecimento. Com a criança não é diferente. Tendo como característica universal a brincadeira, a criança, através do brincar e do jogo, faz suas próprias descobertas, testa seus limites, aprende regras básicas de convivência e desenvolve o emocional e o cognitivo. Vimos através do exemplo prático que a criança aprende brincando, pois a brincadeira é algo sem "compromisso" que se realiza naturalmente, sem cobranças.







“Brincar não é perder tempo, é ganhá-lo. É triste ter meninos sem escola, mas mais triste é vê-los enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação humana".

Carlos Drummond de Andrade

O brincar na Educação Infantil






Resumo



A intenção deste artigo é sensibilizar os professores de educação infantil e do ensino fundamental das séries iniciais do importante papel que os jogos, as brincadeiras e os brinquedos exercem no desenvolvimento da criança. Para isso se faz necessário saber o significado do brincar, conceituar os principais termos utilizados para designar o ato de brincar, tornando-se também fundamental analisar o papel do educador neste processo lúdico, e ainda, os benefícios que o brincar proporciona. Faremos também algumas considerações importantes sobre os jogos e brinquedos. Desta forma, espera-se oferecer uma leitura mais consciente acerca da importância do brincar na vida do ser humano, e em especial na vida da criança.



Palavras chave: brincar; educação infantil; criança; escola.





Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida *







1. Introdução: o brincar e a criança







"O brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma experiência humana, rica e complexa." (ALMEIDA, M. T. P, 2000)





Gostaria de começar o artigo lembrando ao educador sobre os reais objetivos da Educação Infantil. Estes objetivos devem ser pensados a longo prazo e dentro de uma perspectiva do desenvolvimento da criança. Os objetivos serão divididos com relação a três pontos.







I. Em relação aos professores: gostaríamos que as crianças desenvolvessem sua autonomia através de relacionamentos seguros no qual o poder do adulto seja reduzido o máximo possível.





II. Em relação aos companheiros: gostaríamos que as crianças desenvolvessem sua habilidade de descentrar e coordenar diferentes pontos de vista.



III. Em relação ao aprendizado: gostaríamos que as crianças fossem alertas, curiosas, criticas e confiantes na sua capacidade de imaginar coisas e dizer o que realmente pensam. Gostaríamos também que elas tivessem iniciativa, elaborassem idéias, perguntas e problemas interessantes e relacionassem as coisas umas às outras. (KAMII, 1991, p. 15.)

Vamos também iniciar o artigo fazendo uma pergunta: "O que as crianças precisam para serem felizes?"

A criança para ser feliz precisa de muita coisa, mas, em especial ela precisa de:











Sabemos que o brincar é um direito da criança como apresentam diversos documentos internacionais:







Declaração universal dos direitos da criança - ONU (20/11/1959)







"... A criança deve ter todas as possibilidades de entregar-se aos jogos e às atividades recreativas, que devem ser orientadas para os fins visados pela educação; a sociedade e os poderes públicos devem esforçar-se por favorecer o gozo deste direito". (Declaração universal dos direitos da criança, 1959)







Associação internacional pelo direito da criança brincar - IPA 1979 (Malta), 1982 (Viena), 1989 (Barcelona)







Os princípios norteadores da Associação Internacional pelo Direito da Criança Brincar - IPA são:







Saúde





Brincar é essencial para saúde física e mental das crianças.





Educação







Brincar faz parte do processo da formação educativa do ser humano.







Bem estar - ação social







O brincar é fundamental para a vida familiar e comunitária.







Lazer no tempo livre







A criança precisa de tempo para brincar em seu tempo de lazer.







Planejamento







As necessidades da criança devem ter prioridade no planejamento do equipamento social.











Diante do exposto percebe-se que nem sempre a teoria pode ser aplicada na prática, afinal vivemos em um país que não tem dado aos pequenos a devida importância, principalmente no que se refere ao direito de brincar. Nunca devemos esquecer que o brincar é uma necessidade básica e um direito de todos. O brincar é uma experiência humana, rica e complexa. Se o brincar é um direito devemos ter, estimular e cobrar políticas públicas dirigidas em quatro eixos básicos:









I. Criação de espaços lúdicos estruturados para jogos, brinquedos e brincadeiras;





II. Organização sistemática de ações de formação lúdica de recursos humanos em diferentes níveis;





III. Campanhas formativas e informativas sobre a importância do brincar;





IV. Criação de centros de pesquisa, de documentação e assessoria sobre jogos, brinquedos e brincadeiras e outros materiais lúdicos.







Gostaria de encerrar com a seguinte reflexão: o brincar tem contido nele os mais diferentes elementos e valores que são suas virtudes e os seus pecados. Virtudes, porque na essência, eles são constituídos de princípios generosos que permitem a revitalização permanente. Pecados porque o brincar pode ser também manipulado e desviado para as mais diferentes finalidades ou objetivos, podendo comprometer a verdade.







Um outro documento de grande relevância foi o estudo introdutório do referencial curricular nacional para a educação infantil no eixo do brincar e conhecido como Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN's. Este documento foi criado no ano de 1998 em Brasilia por educadores especialistas no assunto. Elencaremos abaixo alguns pontos apresentados neste estudo:









É imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas instituições.



A brincadeira é uma linguagem infantil.



No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando.



O principal indicador da brincadeira, entre as crianças, é o papel que assumem enquanto brincam.



Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos que já possuíam anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca.



O brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adulto.



Os conhecimentos da criança provêm da imitação de alguém ou de algo conhecido, de uma experiência vivida na família ou em outros ambientes, do relato de um colega ou de um adulto, de cenas assistidas na televisão, no cinema ou narradas em livros etc.



É no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre as características do papel assumido, suas competências e as relações que possuem com outros papéis, tomando consciência disto e generalizando para outras situações.



Para brincar é preciso que as crianças tenham certa independência para escolher seus companheiros e os papéis que irão assumir no interior de um determinado tema e enredo, cujos desenvolvimentos dependem unicamente da vontade de quem brinca.





Segundo os PCN's o brincar apresenta-se por meio de várias categorias. E essas categorias incluem:









O movimento e as mudanças da percepção resultantes essencialmente da mobilidade física das crianças;



A relação com os objetos e suas propriedades físicas assim como a combinação e associação entre eles;



A linguagem oral e gestual que oferecem vários níveis de organização a serem utilizados para brincar; os conteúdos sociais, como papéis, situações, valores e atitudes que se referem à forma como o universo social se constroem;



E, finalmente, os limites definidos pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental para brincar.





O brincar pode, de acordo com os estudiosos e pesquisadores do tema ser dividido em duas grandes categorias:









O Brincar Social: reflete o grau no quais as crianças interagem umas com as outras.



O Brincar Cognitivo: revela o nível de desenvolvimento mental da criança.





Estas categorias de experiências podem ser agrupadas em quatro modalidades básicas de brincar:









O brincar tradicional



O brincar de faz-de-conta



O brincar de construção



O brincar educativo





As crianças na idade de educação infantil vivenciam experiências lúdicas sociais e não-sociais. Um estudo feito por PARTEN (1932) citado por PAPALIA (2000) revela que no brincar das crianças pequenas, podemos identificar seis tipos de atividades lúdicas sociais e não-sociais:









Comportamento desocupado



Comportamento observador



Atividade independente (solitária)



Atividade paralela



Atividade associativa



Atividade cooperativa ou organizada suplementar





É importante saber que existem cinco grandes pilares básicos nas ações lúdicas das crianças em seus jogos, brinquedos e brincadeiras, estes pilares são:









I. A imitação



II. O espaço



III. A fantasia



IV. As regras



V. Os valores





Para entender o universo lúdico é fundamental compreender o que é brincar e para isso, é importante conceituar palavras como jogo, brincadeira e brinquedo, permitindo assim aos professores de educação infantil e do ensino fundamental trabalhar melhor as atividades lúdicas. Esta tarefa nem sempre é fácil exatamente pelo fato dos autores compreenderem os termos de forma diferente. Temos que salientar que esta dificuldade não é somente do Brasil, outros países que se preocupam em pesquisar o tema, também têm dificuldade quanto às conceituações. Para efeito deste artigo adotaremos as seguintes definições.









O que é brinquedo?







Para a autora KISHIMOTO (1994) o brinquedo é compreendido como um "objeto suporte da brincadeira", ou seja, brinquedo aqui estará representado por objetos como piões, bonecas, carrinhos etc. Os brinquedos podem ser considerados: estruturados e não estruturados. São denominados de brinquedos estruturados aqueles que já são adquiridos prontos, é o caso dos exemplos acima, piões, bonecas, carrinhos e tantos outros.







Os brinquedos denominados não estruturados são aqueles que não sendo industrializados, são simples objetos como paus ou pedras, que nas mãos das crianças adquirem novo significado, passando assim a ser um brinquedo. A pedra se transforma em comidinha e o pau se transforma em cavalinho. Portanto, vimos que os brinquedos podem ser estruturados ou não estruturados dependendo de sua origem ou da transformação criativa da criança em cima do objeto.







O que é brincadeira?







A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização de regras. Exemplos de brincadeiras que poderíamos citar e que são amplamente conhecidas: Brincar de Casinha, Ladrão e Polícia etc. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto individual. Na brincadeira a existência das regras não limita a ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros, modificar as próprias regras, enfim existe maior liberdade de ação para as crianças.







O que é jogo?







A compreensão de jogo está associada tanto ao objeto (brinquedo) quanto à brincadeira. É uma atividade mais estruturada e organizada por um sistema de regras mais explícitas. Exemplos clássicos seriam: Jogo de Mímica, de Cartas, de Tabuleiro, de Construção, de Faz-de-Conta etc. Uma característica importante do jogo é a sua utilização tanto por crianças quanto por adultos, enquanto que o brinquedo tem uma associação mais exclusiva com o mundo infantil.







Os diferentes significados do brincar





Um mesmo jogo, brinquedo ou brincadeira para diferentes culturas pode ter diferentes significados, isto quer dizer que é preciso considerar o contexto social onde se insere o objeto de nossa análise.







Boneca: Objeto que pode ser utilizado como um brinquedo em uma cultura, ser considerado objeto de adoração em rituais ou ainda um simples objeto de decoração.







Arco e flecha: Objeto que pode ser utilizado como brinquedo em uma cultura, mas em outra cultura é um objeto no qual se prepara às crianças para a caça e a pesca visando à sobrevivência.







Depois das definições apresentadas é necessário esclarecer que as mesmas devem servir para ajudar na reflexão do professor em sua ação lúdica diante da criança e não para limitá-lo neste processo. É importante que as pessoas envolvidas na pesquisa do lúdico acreditem que o jogo, o brinquedo e a brincadeira terão um sentido mais profundo se vierem representados pelo brincar.







Em resumo o universo lúdico abrange, de forma mais ampla os termos brincar, brincadeira, jogo e brinquedo. O brincar caracteriza tanto a brincadeira como o jogo e o brinquedo como objeto suporte da brincadeira e/ou do jogo. (ver figura)





















2. Papel do educador na educação lúdica







"A esperança de uma criança, ao caminhar para a escola é encontrar um amigo, um guia, um animador, um líder - alguém muito consciente e que se preocupe com ela e que a faça pensar, tomar consciência de si de do mundo e que seja capaz de dar-lhe as mãos para construir com ela uma nova história e uma sociedade melhor". (ALMEIDA,1987,p.195)







Para se ter dentro de instituições infantis o desenvolvimento de atividades lúdicas educativas, é de fundamental importância garantir a formação do professor e condições de atuação. Somente assim será possível o resgate do espaço de brincar da criança no dia-a-dia da escola ou creche.







Para nós a formação do Educador Infantil, ganha em qualidade se, em sua sustentação, estiverem presentes três pilares:









I. Formação teórica



II. Formação pedagógica



III. Formação lúdica





A decisão de se permitir envolver no mundo mágico infantil seria o primeiro passo que o professor deveria dar. Explorar o universo infantil exige do educador conhecimento teórico, prático, capacidade de observação, amor e vontade de ser parceiro da criança neste processo. Nós professores podemos através das experiências lúdicas infantis obtermos informações importantes no brincar espontâneo ou no brincar orientado. Estas descobertas podem definir critérios tais como:





A duração do envolvimento em um determinado jogo





As competências dos jogadores envolvidos;



O grau de iniciativa, criatividade, autonomia e criticidade que o jogo proporciona ao participante;



A verbalização e linguagem que acompanham o jogo;



O grau de interesse, motivação, satisfação, tensão aparente durante o jogo (emoções, afetividade etc.);



Construção do conhecimento (raciocínio, argumentação etc.);



Evidências de comportamento social (cooperação, colaboração, conflito, competição, integração etc.).







A aplicação de jogos, brincadeiras e brinquedos em diferentes situações educacionais podem ser um meio para estimular, analisar e avaliar aprendizagens específicas, competências e potencialidades das crianças envolvidas.







No brincar espontâneo podemos registrar as ações lúdicas a partir da: observação, registro, análise e tratamento. Com isso, podemos criar para cada ação lúdica um banco de dados sobre o mesmo, subsidiando de forma mais eficiente e científica os resultados das ações. É possível também fazer o mapeamento da criança em sua trajetória lúdica durante sua vivência dentro de um jogo ou de uma brincadeira, buscando dessa forma entender e compreender melhor suas ações e fazer intervenções e diagnósticos mais seguros ajudando o indivíduo ou o coletivo. As informações obtidas pelo brincar espontâneo permitem diagnosticar:





Idéias, valores interessantes e necessidades do coletivo ou do indivíduo;



Estágio de desenvolvimento da criança;



Comportamento dos envolvidos nos diferentes ambientes lúdicos; Conflitos, problemas, valores etc.







Com isso podemos definir, a partir de uma escolha criteriosa, as ações lúdicas mais adequadas para cada criança envolvida, respeitando assim o princípio básico de individualidade de cada ser humano.

Já no brincar dirigido pode-se propor desafios a partir da escolha de jogos, brinquedos ou brincadeiras determinadas por um adulto ou responsável. Estes jogos orientados podem ser feitos com propósitos claros de promover o acesso a aprendizagens de conhecimentos específicos como: matemáticos, lingüísticos, científicos, históricos, físicos, estéticos, culturais, naturais, morais etc. E um outro propósito é ajudar no desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, motriz, lingüístico e na construção da moralidade (nos valores).







Segundo o professor ALMEIDA (1987) a educação lúdica pode ter duas conseqüências, dependendo de ser bem ou mal utilizada:







I. A educação lúdica pode ser uma arma na mão do professor despreparado, arma capaz de mutilar, não só o verdadeiro sentido da proposta, mas servir de negação do próprio ato de educar;







II. A educação lúdica pode ser para o professor competente um instrumento de unificação, de libertação e de transformação das reais condições em que se encontra o educando. É uma prática desafiadora, inovadora, possível de ser aplicada.







Sobre este tema do papel do educador como facilitador dos jogos, das brincadeiras, da utilização dos brinquedos e principalmente da organização dos espaços lúdicos para criança de 0 a 6 anos muito poderia ser dito, mas gostaríamos de chamar atenção sobre alguns aspectos considerados importantes para facilitar a relação da criança e do professor nas atividades lúdicas. Estas informações foram tiradas do projeto "Brincar é coisa séria" desenvolvido pela Fundação Samuel - São Paulo, em campanha realizada em 1991, p.8, 9 e 10.





Segundo REGO (1994), autora da obra citada, o papel do educador é o seguinte:





O educador tem como papel ser um facilitador das brincadeiras, sendo necessário mesclar momentos onde orienta e dirige o processo, com outros momentos onde as crianças são responsáveis pelas suas próprias brincadeiras.





O educador tem como papel ser um facilitador das brincadeiras, sendo necessário mesclar momentos onde orienta e dirige o processo, com outros momentos onde as crianças são responsáveis pelas suas próprias brincadeiras.



É papel do educador observar e coletar informações sobre as brincadeiras das crianças para enriquecê-las em futuras oportunidades





Sempre que possível o educador deve participar das brincadeiras e aproveitar para questionar com as crianças sobre as mesmas.







É importante organizar e estruturar o espaço de forma a estimular na criança a necessidade de brincar, também visando facilitar a escolha das brincadeiras.







Nos jogos de regras o professor não precisa estimular os valores competitivos, e sim tentar desenvolver atitudes cooperativas entre as crianças. Que o mais importante no brincar é participar das brincadeiras e dos jogos.







Devemos respeitar o direito da criança participar ou não de um jogo. Neste caso o professor tem que criar uma situação diferente de participação dela nas atividades como: auxiliar com materiais, fazer observações, emitir opiniões etc.







Em uma situação de jogo ou brincadeira é importante que o educador explique de forma clara e objetiva as regras às crianças. E se for necessário pode mudá-las ou adaptá-las de acordo com as faixas etárias.







Estimular nas crianças a socialização do espaço lúdico e dos brinquedos, criando assim o hábito de cooperação, conservação e manutenção dos jogos e brinquedos. Exemplos: "quem brincou guarda"; "no final da brincadeira todos ajudam a guardar os materiais" etc.







Estimular a imaginação infantil, para isso o professor deve oferecer materiais dos mais simples aos mais complexos, podendo estes brinquedos ou jogos serem estruturados (fabricados) ou serem brinquedos e jogos confeccionados com material reciclado (material descartado como lixo), por exemplo: pedaço de madeira; papel; folha seca; tampa de garrafa; latas secas e limpas; garrafa plástica; pedaço de pano etc. Todo e qualquer material cria para a criança uma possibilidade de fantasiar e brincar.







É interessante que o professor providencie para que as crianças tenham espaço para brincar (área livre), e que possam mexer no mobiliário, montar casinhas, fazer cabanas, tendas de circo etc.

O professor deve dar o tempo necessário às crianças para que as brincadeiras apareçam, se desenvolvam e se encerrem.







Ser aquele que coordena sua ação a ação da criança, pelo conhecimento e ligação com as emoções desta.







RIZZO (1996) em seu livro "Jogos Inteligentes" analisa com muita propriedade alguns aspectos necessários para que um bom educador possa realizar sua atividade com crianças pequenas. Para a autora o educador:







Deve ser um líder democrático, que propicia, coordena e mantém um clima de liberdade para a ação do aluno, limitado apenas pelos direitos naturais dos outros.







Deve atuar em sintonia com a criança para estabelecer a necessária cooperação mútua.







Precisa ter antes construído a sua autonomia intelectual e segurança afetiva.







Precisa aliar a teoria à prática e valorizar o conhecimento produzido a partir desta.







Deve jogar com as crianças e participar ativamente de suas brincadeiras, talvez seja o caminho mais seguro para obter informações e conhecimentos sobre o mundo infantil. (RIZZO, 1996, p.27 e 29).











Espera-se que as sugestões acima possam abrir novos horizontes, reflexões e questionamentos para o educador infantil, e que com isso ele possa desenvolver atividades mais conscientes e seguras.







3. Brincar é importante ... por quê?





Para a professora CUNHA (1994), o brincar é uma característica primordial na vida das crianças. Segundo a autora em seu livro "Brinquedoteca: um mergulho no brincar" o brincar para a criança é importante:





Porque é bom, é gostoso e dá felicidade, e ser feliz é estar mais predisposto a ser bondoso, a amar o próximo e a partilhar fraternalmente;



Porque é brincando que a criança se desenvolve, exercitando suas potencialidades;



Porque, brincando, a criança aprende com toda riqueza do aprender fazendo, espontaneamente, sem pressão ou medo de errar, mas com prazer pela aquisição do conhecimento;



Porque, brincando, a criança desenvolve a sociabilidade, faz amigos e aprende a conviver respeitando o direito dos outros e as normas estabelecidas pelo grupo;



Porque, brincando, aprende a participar das atividades, gratuitamente, pelo prazer de brincar, sem visar recompensa ou temer castigo, mas adquirindo o hábito de estar ocupada, fazendo alguma coisa inteligente e criativa;

Porque, brincando, prepara-se para o futuro, experimentando o mundo ao seu redor dentro dos limites que a sua condição atual permite;



Porque, brincando, a criança está nutrindo sua vida interior, descobrindo sua vocação e buscando um sentido para sua vida. (CUNHA, 1994, p. 11)



Sendo assim fica claro que o brincar para a criança não é uma questão apenas de pura diversão, mas também de educação, socialização, construção e pleno desenvolvimento de suas potencialidades.





4. Por quê nem todas as crinças brincam?



Segundo Declaração Universal dos Direitos da Criança todas as crianças têm o direito de brincarem e de serem felizes, mas nem sempre elas têm essa oportunidade, por quê?







Porque precisam trabalhar;





Porque precisam estudar e conseguir notas altas;



Porque são tratadas como adultos em miniatura;



Porque não podem atrapalhar os adultos;



Porque não têm com o que brincar;



Porque não tem espaços (em cidades) apropriados para brincar;



Porque é preciso aprender e ser inteligente. (CUNHA, 1994, p. 12)



Diante do exposto percebe-se que nem sempre a teoria pode ser aplicada na prática, afinal vivemos em um país que não tem dado aos pequenos a devida importância, principalmente no que se refere ao direito de brincar.





5. Critérios para escolha de brinquedos







O que é um bom brinquedo para a criança? - É o que atende as necessidades da criança. (CUNHA, 1994) Para que os brinquedos atendam as reais necessidades dos sujeitos envolvidos na ação lúdica é necessário que os seguintes fatores estejam presentes para que isso aconteça:



Interesse



O brinquedo mais lindo e sofisticado não tem valor algum se não der prazer à criança, pois sua validade é o interesse da criança que irá determinar. Bom brinquedo é o que convida a criança a brincar, é o que desafia seu pensamento, é o que mobiliza sua percepção, é o que proporciona experiências e descobertas.



Para diferentes momentos, diferentes brinquedos poderão ser mais indicados. Um brinquedo que estimula a ação, outro que possibilite uma aprendizagem, ou que satisfaça a imaginação e a fantasia da criança; às vezes, apenas um ursinho de pelúcia que lhe faça companhia. Dar um carrinho para um menino de 10 anos pode ser tão ofensivo quanto seria desapontador oferecer um quebra-cabeças de 500 peças a um garoto de 5 anos. Mas nem sempre a criança sozinha irá escolher o melhor brinquedo para ela; um menino, ao entrar numa loja, pode procurar só revólveres ou carrinhos, mas isto não significa que só goste deste tipo de brinquedo, mas sim que só reconhece estes objetos. Os carros estão nas ruas por onde a criança passa e os revólveres e as metralhadoras são a fonte do poder, segundo a mensagem passada pelas dezenas de filmes que a criança assiste todos os dias na televisão.



Certos brinquedos precisam ser apresentados à criança para que possa imaginar o que pode fazer com eles. 0 que torna um brinquedo atraente para uma criança? Um brinquedo pode tornar-se irresistível e até imprescindível pelas seguintes razões:





Por haver-se tornado um objeto de afeto; quantas vezes a ligação com uma boneca, ou um ursinho, é tão forte que a criança não dorme sem ele.

Por representar status, como no caso dos brinquedos anunciados na televisão ou importados.



Por darem sensação de segurança, como os revólveres e as fardas de soldados e super-heróis.





Por atender a uma hiperatividade.





Por funcionar como objeto intermediário entre a criança e uma situação difícil para ela.





Por satisfazer uma determinada carência ou atender a uma fantasia.





Por ser desafio a uma determinada habilidade, como os ioiôs, bambolês, skates etc.





Porque algum amigo tem.







Adequação



O brinquedo deve ser adequado à criança, considerada como indivíduo especial e diferenciado; deve atender à etapa de desenvolvimento em que a criança se encontra e as suas necessidades emocionais, socioculturais, físicas ou intelectuais.



Apelo à imaginação



O brinquedo deve estimular a criatividade. Quando é muito dirigido e não oferece alternativas, passa a ser apenas uma tarefa a ser cumprida. É aconselhável que haja sempre um convite a participação criativa. Entretanto, este apelo deve estar à altura da criança. Os jogos muito abstratos não conseguirão motivá-la, pois, para poder criar, ela precisa ter alguns pontos de referência.



Versatilidade



O brinquedo que pode ser utilizado de várias maneiras é um convite a exploração e a inventividade. A criança pode brincar com algo que já conhece, mas criando novas formas ou alcançando objetivos diferentes. É interessante que o jogo possibilite à criança a obtenção de sucesso progressivo, para que, à medida que ela vai conhecendo melhor os recursos que ele oferece, possa alcançar níveis mais altos de realização. Um jogo bem versátil pode representar um constante desafio às habilidades da criança.



Composição



As crianças gostam de saber como o brinquedo funciona ou como ele é por dentro. Por esta razão, os jogos desmontáveis são mais interessantes. 0 pensamento lógico é bastante estimulado pelo manuseio dos jogos de montar, nos quais a criança tem oportunidade de compor e observar a seqüência necessária para a montagem correta.



Cores e formas



As cores mais fortes e as formas mais simples atraem mais as crianças pequenas. Mas as maiores preferem cores naturais e formas mais sofisticadas. De qualquer maneira, a variedade no colorido, na forma e na textura irá contribuir para a estimulação sensorial da criança, enriquecendo sua experiência.



O tamanho



Deve ser compatível com a motricidade da criança. Um bebê não pode brincar com peças pequenas pois poderá levá-las a boca, engolir ou engasgar-se com elas. Também não terá coordenação motora suficiente para manipular peças miúdas. Brinquedos grandes e pesados podem machucar a criança ao caírem no chão.



Durabilidade



Os brinquedos muito frágeis causam frustração não somente por se quebrarem facilmente, mas também porque não dão à criança o tempo suficiente para que estabeleça uma boa relação com eles.



Segurança



Tintas tóxicas, pontas e arestas, peças que podem se soltar, tudo isto deve ser observado num brinquedo, para evitar que a criança se machuque. Com os bebês, o cuidado deve ser ainda maior, pois, levando tudo à boca, correm o risco de engolir ou engasgar-se com uma pequena peça que se desprenda. Cuidado com os sacos plásticos, porque podem provocar sufocação se levados à boca ou enfiados na cabeça. É melhor evitá-los. Nem sempre será possível atender a todos estes pré-requisitos para fazer uma escolha. Mas, pelo menos o primeiro e o último desta lista serão indispensáveis considerar.







6. Sobre a segurança dos brinquedos: alguns cuidados e sugestões



As crianças, acostumadas que estão a passarem grande parte do tempo em frente à TV, são vítimas ingênuas dos apelos da publicidade e desorientam os pais com exigências sutis, declaradas e até abusadas. Como nenhum pai agüenta a cantilena e até as pirraças comuns aos baixinhos contrariados, acabam cedendo aos seus apelos. Mas é necessário que estejam atentos para comprarem produtos que tenham alguma utilidade para as crianças, e mais, que não tragam danos imediatos ou futuros. Vamos a alguns conselhos:



Brinquedo é um tipo de treinamento divertido para a criança, através dele é que ela começa a aprender, conhecer e compreender o mundo que a rodeia.



Existem brinquedos para todas as faixas etárias. Não adianta forçar a natureza.



Quanto mais adequado à idade da criança, mais útil ele é, se o brinquedo puder ser utilizado em várias idades acompanhando o desenvolvimento, melhor ainda.



Brinquedos que servem para adultos brincarem e crianças assistirem não são estimulantes. Pelo contrário: habituam a criança a ser um mero espectador.



Bom brinquedo estimula a imaginação e desenvolve a criatividade. Brinquedos que ensinam apenas a repetir mecanicamente o que os outros fazem são prejudiciais, irritantes e monótonos.



Criança gosta de brinquedos que possibilitem ação e movimento, com isso, aprende a coordenar olhos, mãos e o corpo, garantindo com naturalidade e prazer uma maior saúde física e mental no futuro.



Brinquedo sério é aquele que educa a criança para uma vida saudável, livre, solidária, onde o companheirismo e a amizade sejam os pilares básicos.



Evite tudo o que condiciona a padrões discutíveis como a discriminação sexual, racial, religiosa e social. Afaste brincadeiras que incentivam a vitória a qualquer custo, a esperteza fora das regras, a conquista de lucro ilegal, a compra ou venda através de meios desonestos.





7. Considerações finais e sugestões

Tentamos de forma resumida mostrar algumas idéias sobre o brincar. Agora cabe a cada leitor fazer uma reflexão mais profunda sobre este tema tão maravilhoso e ao mesmo tempo misterioso. Esperamos que as informações contidas neste trabalho possam ajudar ao educador infantil, na organização e planejamento de suas atividades. É importante colocar que o educador que trabalha diretamente com crianças pequenas deve sempre que possível ler artigos, textos e livros que falem sobre jogos, brincadeiras, brinquedos, e ainda sobre a criança e o seu desenvolvimento. Por isso esperamos que os conteúdos abordados acima venham colaborar de forma objetiva e concreta para uma melhor compreensão do universo lúdico infantil. E principalmente para uma melhor qualidade educativa na formação lúdica do educador infantil. Caro educador não esqueça que existem várias formas de brincar e nem sempre é preciso dinheiro para isso, só precisa de imaginação, ser criativo e acreditar em sonhos. Os estudos feitos por SINGER & SINGER, (1990) citado por PAPALIA (2000) mostra que o brincar de faz-de-conta é um ótimo recurso para a realização deste sonho:

I. Cerca de 10 a 17 % do brincar nas crianças de 2 a 3 anos é o jogo de faz-de-conta;



II. A proporção aumenta para cerca de 33% nas idades de 4 a 6 anos;



III. A dimensão do jogo de faz-de-conta muda na proporção que as crianças crescem. Passam do jogo imaginativo para o jogo sociodramático;



IV. Através do faz-de-conta, as crianças aprendem a compreender o ponto de vista de outra pessoa, a desenvolver habilidades na resolução de problemas sociais e a expressar sua criatividade;



V. As crianças que com freqüência brincam de faz-de-conta tendem a cooperar mais com outras crianças e tendem a ser mais populares e mais alegres do que aquelas que não brincam de modo imaginativo;



VI. Os adultos e crianças que brincam de faz-de-conta tendem a ter uma relação mais saudável e prazerosa;



VII. As crianças que brincam de faz-de-conta tem mais facilidade de criar suas próprias imagens e ser protagonista da ação lúdica;



VIII. Quanto maior for a qualidade do brincar maior será o desenvolvimento cognitivo.





8. Bibliografia consultada e sugestões

1) ALMEIDA, M.T.P. Jogos divertidos e brinquedos criativos. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2004.

2) ____. Los juegos cooperativos em la educación física: una propuesta lúdica para la paz. In: Juegos cooperativos. Tándem. Didáctica de la Educación Física nº 14, ano 4. Barcelona-Espanha: GRAÓ, 2004, pp. 21 - 31.



3) ____. Os Jogos Tradicionais Infantis em Brinquedotecas Cubanas e Brasileiras. São Paulo: USP, 2000. (Dissertação de Mestrado)



4) ____. Brinquedoteca e a importância de um espaço estruturado para o brincar. In: Brinquedoteca: o lúdico em diferentes contextos. Petrópolis, RJ: Editora Vozes,1997, pp. 132 -140.



5) ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica - técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Edições Loyola, 1987.



6) BERTTELHEIM, Bruno. Uma vida para seu filho. Trad. Maura Sardinha e Maria Helena Geordane. Rio de Janeiro: campus, 1988.



7) BORJA, Maria Sole. O jogo infantil: organização das ludotecas. Lisboa - Portugal: Instituto de Apoio à Criança - IAC, 1992.



8) CUNHA, Nylse H. S. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. São Paulo. Maltese, 1994.



9) KAMII, Constance & DEVRIES, Rheta. Jogos em grupo na educação infantil: implicações da teoria de Piaget. Trad. Marina Célia Dias Carrasqueira. São Paulo: Trajetória Cultural, 1991.



10) KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1994.



11) ____. O cotidiano da pré-escola. São Paulo: Série IDÉIAS, nº7, FDE, 1990.



12) LEBOVICI. S. O significado e função do brinquedo na criança. Trad. Liana di Marco. Porto alegre: Artes Médicas, 1985.



13) MARROU, Henri-Irénée. História da Educação na Antiguidade. São Paulo: E.P.U., 1990.



14) OLIVEIRA, Paulo de Salles. O que é brinquedo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1990.



15) PAPALIA, Diane E. & OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento Humano. Trad. Daniel Bueno. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.



16) REGO, Teresa Cristina. Brincar é coisa séria. São Paulo: Fundação Samuel,1992.



17) RIZZO, Gilda. Jogos Inteligentes. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil,1996. Nota:

Criança precisa de limites que a protejam

Criança precisa de limites que a protejam







CRIANÇA PRECISA DE LIMITES QUE A PROTEJAM.


             DAR LIMITES
-Ensinar que os direitos são iguais para todos.

-Ensinar que existem OUTRAS pessoas no mundo.

-Fazer a criança compreender que seus direitos acabam onde começam os direitos dos outros.

-Dizer "sim" sempre que possível e "não" sempre que necessário.

-Só dizer "não" aos filhos quando houver uma razão concreta.

-Mostrar que muitas coisas podem ser feitas e outras não podem ser feitas.

-Fazer a criança ver o mundo com uma conotação social (con-viver) e não apenas psicológica (o meu desejo e o meu prazer são as única coisas que contam).

-Ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente para que, no futuro, os problemas da vida possam ser superados com equilíbrio e maturidade (a criança que hoje aprendeu a esperar sua vez de ser servida à mesa amanhã não considerará um insulto pessoal esperar a vez na fila do cinema ou aguardar três ou quatro dias até que o chefe dê um parecer sobre sua promoção).

-Desenvolver a capacidade de adiar satisfação (se não conseguir emprego hoje, continuará a lutar sem desistir ou, caso não tenha desenvolvido esta habilidade, agirá de forma insensata ou desequilibrada, partindo, por exemplo, para a marginalidade, o alcoolismo ou a depressão).

-Evitar que seu filho cresça achando que todos no mundo têm de satisfazer seus mínimos desejos e, se tal não ocorrer (o que é mais provável), não conseguir lidar bem com a menor contrariedade, tornando-se, aí sim, frustrado, amargo ou, pior, desequilibrado emocionalmente.

-Saber discernir entre o que é uma necessidade dos filhos e o que é apenas desejo.

-Compreender que direito à privacidade não significa falta de cuidado, descaso, falta de acompanhamento e supervisão às atividades e atitudes dos filhos, dentro e fora de casa.

-Ensinar que a cada direito corresponde um dever e, principalmente:

Dar exemplo!

Quem quer ter filhos que respeitem a lei e os homens tem de viver seu dia-a-dia dentro desses mesmos princípios, ainda que a sociedade tenha poucos indivíduos que agem dessa forma.



DAR LIMITES NÃO É...

-Bater nos filhos para que eles se comportem.

-Quando se fala em limites, muitas pessoas pensam que significa aprovação para dar palmadinhas, bater ou até espancar.

-Fazer só o que vocês, pai ou mãe, querem ou estão com vontade fazer.

-Ser autoritário, dar ordens sem explicar o porquê, agir de acordo apenas com seu próprio interesse, da forma que lhe aprouver, mesmo que a cada dia sua vontade seja inteiramente oposta à do outro dia, por exemplo.

-Deixar de explicar o porquê das coisas, apenas impondo a "lei do mais forte".

-Gritar com as crianças para ser atendido.

-Deixar de atender às necessidades reais (fome, sede, segurança, afeto, interesse) dos filhos, porque você hoje está cansado.

-Invadir a privacidade a que todo ser humano tem direito.

-Provocar traumas emocionais, humilhações e desrespeito à criança.

-Toda criança tem capacidade de compreender um "não" sem ficar com problemas, desde que, evidentemente, este "não" tenha razão de ser e não seja acompanhado de agressões físicas ou morais.

-O que provoca traumas e problemas emocionais é, em primeiro lugar, a falta de amor e carinho, seguida de injustiça, violência física.

-Bater nos filhos é uma forma comum de violência física, que, em geral, começa com a palmadinha leve no bumbum.



Texto extraído livro Limites Sem Trauma (Construindo Cidadãos), de Tânia Zagury.





                IMPORTÂNCA DOS "LIMITES"





Estipular limites para um filho, com bom senso, é prepará-los para conviver com o mundo, e com as frustrações que fazem parte da realidade da vida.





As frustrações quando ocorrem de forma não intensa e nem excessiva, promovem um exercício para o "EU", que permite o desenvolvimento da criatividade, integração e etc. É necessário que os limites impostos pelos pais possam ser explicados para os filhos.





Educar sem apresentar razões apenas insistindo, "porque sim", "porque a mãe mandou" não é uma boa maneira de auxiliá-los a lidar com a frustração.





É importante ter uma afinidade entre as orientações dadas pelo pai e pela mãe.





É muito ruim para os filhos quando recebem dos pais orientações muito diferentes e contraditórias.





Educar sempre envolve erros e acertos.





Não há uma receita infalível para transformar os filhos em pessoas felizes e bem sucedidas.





É errado exigir, que os filhos sigam a risca as orientações dos pais, assim como é errado não dar nenhuma orientação.





A pior coisa que pode ocorrer com uma criança é ser deixada à própria sorte.





Nenhuma pessoa é capaz de educar a si mesma e preparar-se sozinha para os desafios da vida adulta.





O diálogo e o interesse pela criança é sempre um bom aliado.





Não adianta impor limites sem conversar e demonstrar afeto pela criança.





É importante para uma resposta satisfatória da criança aos limites impostos, que haja uma boa qualidade de relação.

Pense nisso.

                                  Apenas brincando



.............................






"Quando estou construindo com blocos no quarto de brinquedos,


por favor, não diga que estou apenas brincando,


porque enquanto brinco, estou aprendendo sobre equilíbrio e formas.


Quando estou me fantasiando,


arrumando a mesa e cuidando das bonecas,


por favor, não me deixe ouvir você dizer: ele está apenas brincando,


porque enquanto eu brinco, eu aprendo.


Eu posso ser mãe ou pai algum dia.


Quando estou pintando até os cotovelos,


ou de pé diante do cavalete, ou modelando argila,


por favor, não diga que estou apenas brincando,


porque enquanto eu brinco, eu aprendo.


Estou expressando e criando. Eu posso ser artista ou inventor algum dia.


Quando estou entretido com um quebra-cabeça ou com algum brinquedo na escola,


por favor, não sinta que é um tempo perdido com brincadeiras,


porque enquanto brinco, estou aprendendo.


Estou aprendendo a me concentrar e resolver problemas.


Eu posso estar numa empresa algum dia.


Quando você me vê aprendendo, cozinhando ou experimentando alimentos,


por favor, não pense que porque me divirto, é apenas uma brincadeira.


Eu estou aprendendo a seguir instruções e perceber as diferenças.


Eu posso ser um chefe algum dia.


Quando você me vê aprendendo a pular, saltar, correr e movimentar meu corpo,


por favor, não diga que estou apenas brincando.


Eu estou aprendendo como meu corpo funciona.


Eu posso ser um médico, enfermeiro ou um atleta algum dia.


Quando você me pergunta o que fiz na escola hoje.


E eu digo: eu brinquei.


Por favor, não me entenda mal.


Porque enquanto eu brinco, estou aprendendo.


Estou aprendendo a ter prazer e ser bem sucedido no trabalho.


Eu estou me preparando para o amanhã.


Hoje, eu sou uma criança e meu trabalho é brincar."










♥♥♥ ♥♥ ♥



Ideias

Cantinhos Exploratórios na Educação Infantil




A sala de Aula pode e deve ser um ambiente propício para desenvolver todas as habilidades de maneira prazerosa.

Uma sala de aula de Educação Infantil geralmente já possui inúmeros materiais adequados à realização de atividades lúdicas, previamente planejadas com o intuito de desenvolver as habilidades necessárias. Entretanto, venho através deste texto sugerir alguns "cantinhos" interessantes, muito simples de se criar e, principalmente, enriquecedores para o estímulo a descoberta.

Inicialmente tenho que deixar claro que aqui não vão "receitas" e sim sugestões, idéias, que devem ser analisadas, refletidas e adequadas à cada professor, a cada turma, a cada escola, e até mesmo, a cada aluno.

Proponho que conforme vá lendo as sugestões reflita sobre elas procurando dar o seu "toque pessoal" de acordo com as necessidades de sua turma. Algumas idéias lhe parecerão muito óbvias e lógicas, contudo nem sempre as utilizamos de uma forma contínua e por isso estão aqui inseridas.

Cantinho da Pesquisa:

Em uma caixa grande de papelão, ornamentada de forma a atrair o interesse das crianças – sugerimos que seja bastante colorida - podemos ter um acervo de revistas adultas e infantis, gibis e materiais de pesquisa como gravuras, fotos, desenhos diversos.

Tal caixa pode ser usada para pesquisas orientadas pelo professor – que são bastante comuns.

Exemplo: Vamos pesquisar fotos e desenhos de pessoas com roupas de frio.

Mas , tê-la em sua sala de aula, vai além disso, tem como objetivo manter as crianças em contato com diferentes formas de escrita e com o que está acontecendo no mundo a sua volta, além de ajudar em diferentes atividades onde sempre precisamos de folhas de revistas e fotos. Deixar as crianças explorarem livremente, inventando histórias e contando uma para outras, fazendo comparações das figuras com sua realidade são atividades simples e de suma importância para o desenvolvimento do vocabulário, do raciocínio lógico e da criatividade.

Peça ajuda aos responsáveis explicando a importância do "Cantinho da Pesquisa" e, certamente, terá sempre doações para enriquecer a caixa.



Cantinho da Leitura:

O Cantinho da Leitura não é o mesmo Cantinho da Pesquisa e é importante que os alunos compreendam a diferença assim como seus responsáveis.

Nesse "cantinho" devem conter livros de histórias infantis diversas adequadas à faixa etária dos alunos.

Praticamente todas as salas de aula de turmas iniciais já possuem este "Cantinho" que deve ser feito com estantes da altura das crianças e almofadas coloridas ou tapete emborrachado para a Hora do ouvir e contar histórias – Se na sua escola as crianças tem que ir até outra sala para realizar esta atividade ou se os livros ficam escondidos e longe do alcance dos pequenos – Repense esta prática! É muito importante que as crianças tenham contato com os livros, e os identifiquem como algo do seu dia a dia, que está ao seu alcance, com o que pode contar. Isso facilitará todo o processo de alfabetização e será imprescindível para tornar seu aluno um futuro leitor.



Cantinho da Música:

Sabemos que nem sempre é possível termos dentro de sala de aula um aparelho de som à disposição, porém este cantinho deve ser mantido dentro das possibilidades. Sugerimos gravar em CDs ou Fitas Cassete diferentes estilos musicais escolhidos pelo professor e pelo menos 1 preferido de cada aluno.

Temos várias sugestões de trabalho com músicas na Educação Infantil e estas são fundamentais sempre e não somente em aulas específicas de música, onde o tempo é muito limitado para a quantidades de atividades que podem ser realizadas.

Nesse mesmo cantinho sugerimos que tenha uma Caixa com instrumentos musicais, que podem ser confeccionados pelas próprias crianças com a ajuda do professor.

Acho que é bastante óbvio o benefício desta sugestão.



Cantinho da Sucata:

Tudo que poderia ser lixo serve para você professor de Educação Infantil como um recurso de grande valia. Construir brinquedos, bonecos, casinhas; usar tampas de refrigerantes, palitos, potinhos para contagem; simplesmente manusear e distinguir cores e formas de olhos abertos ou vendados; são somente alguns exemplos do que pode ser feito com este rico material.

Novamente digo que os responsáveis podem e devem ajudar no acervo das sucatas – Quanto mais os pais estiverem cientes e participativos do processo ensino – aprendizagem melhor para você professor, então: mãos a obra!





Cantinho das Dramatizações:

Imagine um baú repleto de chapéus, óculos, chales, bijuterias, maquiagens, fantasias, perucas, máscaras... Em frente a ele imagine um espelho na altura das crianças. Pronto! Você acaba de ter dentro de sua sala de aula um ambiente fascinante onde atividades corporais e de Jogo Simbólico serão realizadas.

Tantas coisas o professor pode fazer com esses materiais! Acho que nem preciso dizer mais nada...



Cantinho dos Jogos:

Os Jogos Pedagógicos confeccionados em EVA, cortiça, cartolina ou até mesmo os de madeira e borracha também devem estar ao alcance dos pequenos em um "cantinho" especial. Quebra-cabeças, Jogos de Encaixe e muitos outros... Sugerimos que caso não tenha como a escola oferecer nem tão pouco pedir ajuda aos responsáveis, que a professora vá confeccionando aos poucos, de acordo com as datas comemorativas por exemplo e colecionando-os numa Caixa também separada.



Brinquedoteca:

Um canto em sua sala com os brinquedos – não pode faltar!

E a sugestão dada aqui é que os momentos de brincadeiras com os mesmos também sejam, por vezes, supervisionados pelo professor ao qual pode fazer interferências criando situações-problemas, comparando-os a atitudes de sua realidade diária, provocando novas descobertas no meio das brincadeiras.

Um bom observador pode descobrir muito dos alunos através de suas brincadeiras e tirar proveito disso sempre.



Pasta de Gravuras:

Ler e interpretar é de fundamental importância para todos. Partindo do princípio que a leitura e a interpretação dos pequenos é através de figuras, fotos e desenhos; a proposta é criar uma pasta onde gravuras possam ser lidas e interpretadas.

Esta atividade pode ser realizada diariamente – uma gravura por dia – na hora da rodinha, orientada pela professora as crianças deverão descrever o que vêem nas gravuras e que entendem quando olham para elas.

Tal atividade requer do professor paciência para escolher gravuras adequadas às necessidades da turma e dinamismo para enriquecer sempre os depoimentos dos alunos de forma que seja útil para o processo.



A básica "chamadinha":

Na sua "chamadinha" básica além dos nomes e das fotos de seus alunos, da janelinha do tempo e dos dias da semana você pode incluir algo importante do dia: Uma notícia, uma data especial, um acontecimento na escola, ou simplesmente a conclusão do dia registrada por escrito juntamente com os alunos. Torne este momento diário sempre atraente e divertido. E lance mão destes recursos presentes em sua "chamadinha" sempre que necessitar não somente na hora da entrada.



Concluindo...

Cantinho das Artes, das Descobertas, das novidades, da TV, da Psicomotricidade... ... Usando sempre recursos diferentes para alcançarmos os mesmos fins. Assim, conseguimos dos alunos mais prazer, ávidos por novos conhecimentos e descobertas – Criança ama novidades e necessita delas para depois sim repeti-las diversas vezes e criar os seus conceitos. Reflita sobre seus objetivos e crie em sua sala de aula um ambiente facilitador de aprendizagem, um ambiente rico em conhecimentos, verdadeiramente estimulante e assim sendo desenvolverá mais que habilidades, desenvolverá o prazer de freqüentar a escola.



Continuarei num próximo post com mais idéias, dicas, sugestões e reflexões sobre o assunto.


É fundamental refletir sobre sua prática professor!




A Lição é um ato de refletir sobre a sua própria aprendizagem



( Madalena Freire )



O ato de refletir a lição deve ser um ato libertador. Libertador porque instrumentaliza o professor no que ele tem de mais forte: sua reflexão. Professor algum é dono de sua prática se não tem a reflexão de sua prática nas mãos.

Não existe ato de reflexão que não nos leve a constatações, descobertas, e, portanto, que não nos leve a transformar algo em nós, nos outros e no mundo. Portanto, dentro desta concepção - em que o ato de refletir é permanente centrado no eixo de cada professor - está implícito que não existe um modelo de reflexão(que fulana é melhor na lição dela, eu sou uma "m...")

Cada um tem sua reflexão, que está enraizada no seu tempo, no seu processo de apropriação de sua prática.

O que existe são tempos - histórias - distintos deste processo de aprofundamento da reflexão que, no fundo, é o processo de aprofundamento da própria formação.

A lição, a reflexão desse meu processo-formação só pode ser assumida mesma, por cada professor. Professor que coloca fora de si, num mito teórico, sua formação, está doente, alienado, anestesiado, num sono profundo, fantasiado de nomes que não são o seu.

Ou cada professor assume a condição - reflexão - do seu processo de formação, como algo que está sendo parido por ele mesmo - e que por isso trará dores do parto também - sem os fantasmas teóricos lhe paralisando a ação, ou então ele se considerar "formado",morto na sua criação, morto na sua curiosidade,morto na sua reflexão, morto na sua paixão.

Morto na sua capacidade de seduzir o outro para a opção do prazer em assumir a sua formação.







           Referencial Curricular Para Primeira Educação Infantil








Uma proposta curricular para crianças de 0 a 3 anos, não pode ser estabelecida partindo de uma concepção que não leve em conta, em primeira instância, quem é essa criança que estamos educando.



A primeira escola não pode considerar que o importante é mostrar à elas experiências sistematizadas da nossa cultura. Sendo necessário formalizar uma proposta curricular nas instituições que trabalham com crianças de meses até 3,4 anos é preciso fazer isso, respeitando e muito a criança.



E para isso é preciso entender quem é essa criança, fazendo isso estamos compreendendo que é nessa fase da vida que os pequenos precisam viver o mundo. E assim considerando a escola deve proporcionar aos educandos experiências ricas de sentido e significado. A aprendizagem mais importante nessa etapa da escolarização é a sua constituição como sujeito, que participa de uma sociedade e de um ambiente e portanto as necessidades dela estão voltadas para sua formação pessoal e social, para forma de viver relações com pessoas, materiais e ambientes. Vendo por essa ótica, compreendemos que a forma de relação da criança nesse período da sua vida esta significada na exploração, na imitação, na brincadeira e na construção de vínculos seguros que dêem conta de garantir as suas necessidades básicas de afeto, emoção, bem estar físico, curiosidades e desejos.



Apenas se priorizarmos e respeitarmos esse tempo que a criança leva para se construir como sujeito daremos conta da função da escola de cuidar-educar.



A proposta de um referencial curricular para esse segmento da educação com certeza dar vazão as áreas de formação pessoal e social, considerando eixos como: cuidados pessoais de si, do outro, o eu e o outro, conhecimento de si, conhecimento de seu corpo, sono, descanso, adaptação, entre tantos outros.

















 
 

terça-feira, 9 de março de 2010

Métodos e Teorias Pedagógicas

Métodos e Teorias Pedagógicas







Quando uma escola se diz partidária deste método ou daquela teoria, é preciso distinguir as diferenças entre ambos. Existem teorias da aprendizagem, ou seja, hipóteses e modelos de como o ser humano aprende, e métodos pedagógicos, isto é, maneiras de proceder nesta e naquela situação.


Dentre os utilizados no Brasil destacam-se os de Piaget, Freinet, Montessori e Waldorf. Mais recentemente as idéias do norte-americano Howard Gardner (inteligências múltiplas) começaram a ser difundidas.


São propostas alternativas ao sistema pedagógico tradicional, que é baseado na memorização de conteúdos.


Conheça aqui um pouco de cada uma destas propostas.


Piaget / Construtivismo






O que é habitualmente chamado de construtivismo é a aplicação das teorias de aprendizagem de Jean Piaget. Em vez de apontar "erros" e fornecer a resposta "correta", cabe ao professor questionar as respostas dadas pela criança de maneira que ela perceba as limitações da sua resposta.


É fundamental permitir que a criança desenvolva suas próprias teorias e hipóteses a respeito da escrita e garantir o raciocínio, que não se desenvolve com a repetição mecânica de conteúdos. Segundo Piaget, cada vez que ensinamos prematuramente a uma criança algo que ela poderia ter descoberto por si mesma, esta criança foi impedida de inventar, e conseqüentemente de entender completamente.


Para mais informações consulte:


The Jean Piaget Society


Montessori






É um dos mais populares métodos educacionais, criado por Maria Montessori inicialmente para crianças portadoras de deficiências e depois aplicado em crianças não excepcionais partindo do princípio de que o método desenvolvia a inteligência.


Não é apenas uma técnica de alfabetização, mas um sistema de educação. Os principais objetos são blocos de madeira, cubos, fitas e todo tipo de material que estimule a audição, o tato, a visão e mesmo a concentração. A educação dos sentidos é essencial. Busca-se a criança "equilibrada", aquela que consegue dominar a si mesma e o espaço a sua volta.


Para Maria Montessori o conceito de educação está relacionado com o conceito de criança: um ser capaz de crescer por si mesmo; um ser diferente do adulto; um ser com necessidades próprias, original e único; um ser que precisa de ajuda adequada e oportuna; um ser capaz de aprender naturalmente.


O método Montessori algumas vezes sofre críticas por ser muito estruturado. Mas Maria Montessori costumava dizer: "Eu estudo minhas crianças e elas me ensinaram a ensiná-las".


Para mais informações consulte:


American Montessori Society


The Montessori Foundation


Montessori Connections Freinet






Procura estimular a capacidade de criação e expressão, longe das restrições impostas pela escola tradicional. Nasceu da observação da grande separação existente entre o dia-a-dia e a escola, e do fato de o interesse demonstrado pelas crianças pelo meio social ser muito maior que pelos textos escolares.


Freinet costumava sair com as crianças para passeios e ao voltar, cada um contava a sua visão da experiência. Em vez de se preocupar com a perfeição e correção gramatical do material, dava grande estímulo à criatividade dos alunos. Assim, um gafanhoto visto por um aluno era o ponto de partida para uma aula sobre insetos; o tecelão com quem conversavam era o pretexto para aprender sobre tecelagem ou a necessidade de medir os tecidos.


Os textos elaborados pelas crianças posteriormente eram selecionados por elas para serem divulgados com a comunidade. Eram então corrigidos pelo grupo, ilustrados, impressos e distribuídos para os pais, amigos e demais habitantes da cidade. Nascia a imprensa escolar. À medida que suas idéias foram sendo difundidas, chamaram a atenção de outros professores na França, e as classes passaram a trocar resultados e experiências. Foi o início da correspondência interescolar.


Trazida para o Brasil em 1974 pelo professor francês Michel Lunay, as técnicas da pedagogia Freinet até hoje são pouco conhecidas, apesar de dispensarem materiais especiais ou formação específica do professor.


Para mais informações consulte:


Freinet, o educador


Escola Curumim - Campinas SP


FIMEM Fédération Internationale des Mouvements d'Ecole Moderne


Waldorf






Criado na Alemanha por Rudolf Steiner, foi aplicado pela primeira vez em 1919 com filhos de operários da fábrica Waldorf-Astoria. Para a escola Waldorf, cada idade tem suas necessidades. No primeiro período aprende-se por imitação, de maneira eficiente, mas pouco consciente. Dos 7 aos 14 anos a criança é educada por meio de uma vida de sentimentos, emoções, vivência e estética. Dos 14 aos 21 educa-se para aprender a lidar com o mundo com ênfase na ética, tornando-se cognitiva.


A educação Waldorf procura um equilíbrio entre os trabalhos artísticos, acadêmicos e práticos, educando a criança como um todo, envolvendo as emoções, o físico e o cérebro.


Para mais informações consulte:


Rudolf Steiner College


Rudolf Steiner Archive & e.Lib


Múltiplas inteligências


É um método de vanguarda, desenvolvido por Howard Gardner que, ao pesquisar o cérebro e pacientes com lesões cerebrais, percebeu que o que se chama de "inteligência" não se refere apenas à capacidade de entender alguma coisa, mas também à criatividade e à compreensão.


A principal mudança está na forma de avaliação. Segundo Gardner a escola tradicional está centrada na exploração das inteligências lingüísticas e lógico-matemática. Para ele, a escola deveria ter uma educação pessoal, centrada no aluno, onde ele não poderia ser comparado. Coloca-se também que mesmo Piaget, em sua análise de "inteligência", tinha uma visão apenas da inteligência lógico-matemática e que a linha Freinet está muito próxima da teoria das múltiplas inteligências.


As múltiplas inteligências são: lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-sinestésica, naturalista, intrapessoal, interpessoal e existencial (em estudo). Veja aqui um texto (em inglês) com mais detalhes.


Para mais informações consulte:


ABRAE - Associação Brasileira de Estudos das Inteligências Múltiplas e Emocional


Quadro comparativo






Papel do professor O que fazer com alunos apáticos ou rebeldes Como se realiza a aprendizagem


Construtivismo Deve ser vigilante sem ser restritivo, procurando "antecipar" respostas possíveis, encorajando a criança a encontrá-las, aceitando hipóteses provisórias que surgem nas aulas. As relações de conduta em sala de aula devem ser trabalhadas a partir de "contratos" nos quais todos têm as mesmas responsabilidades e direitos. O conhecimento é construído a partir da interação entre a criança e o meio. Conhecer é agir.


Montessori Seu dever principal é explicar o uso do material. O professor representa a ligação entre o material e a criança. Cada criança tem seu espaço. Aos poucos consegue-se a normalização. Os rebeldes são isolados em um canto da sala enquanto os demais continuam suas atividades. Na alfabetização usa-se o método fonético apresentando para a criança a letra e seu som. Associa-se o som a uma imagem conhecida.


Freinet É um orientador, e deve usar seu conhecimento como instrumento de mediação. É amigo, age e aprende com os alunos. À medida que as crianças propõe suas idéias e trabalhos, os apáticos e rebeldes vão se colocando no grupo e descobrirão o que gostam de fazer. Tateamento experimental. A criança vai dando passos até acertar.


Waldorf Profundo conhecedor do ser humano, deve usar o amor como base da relação com os alunos e ter qualidades artísticas, principalmente criatividade e fantasia. São tratados pelo professor em sala de aula. Em casos mais graves, há o auxílio de um grupo pedagógico, que trabalha pela reintegração. Varia conforme a faixa etária: 0 a 7 anos, por imitação; 7 a 14 por vivências emocionais e 14 a 21 por cognição intelectual.


Inteligências Múltiplas É um "fisioterapeuta da inteligência". Deve abandonar o conceito unitário de inteligência e ver-se não como um repetidor de conceitos, mas como um estimulador de talentos. Essas atitudes estão condicionadas ao aluno ter inteligências dinâmicas ou ignoradas pela escola. Uma criança com talento pictórico precisa de estímulos para escrever. Inteligência não é apenas a capacidade de entender alguma coisa, mas também criatividade e compreensão.






Breves biografias


Jean Piaget


Nasceu na Suíça em 1896 e faleceu em 1980. Doutor em Ciências Naturais com mais de 20 doutorados Honoris Causa conferidos por universidades de todo o mundo. Sua principal preocupação era a maneira como as pessoas aprendem. Ele afirma em sua teoria que o conhecimento é construído por intermédio das relações existentes entre o sujeito e o meio físico e social.


Em sua Teoria Psicogenética estabelece como se dá a construção do conhecimento pelo indivíduo, trazendo um importante subsídio para a prática pedagógica pois nos ajuda a compreender melhor a criança, conhecendo os estágios pelos quais ela passa e os mecanismos que utiliza para se reequilibrar nos seus contatos com o meio.


Embora não tenha criado um método pedagógico defendeu ativamente a importância da educação. Em seu livro "Psicologia e Pedagogia" Piaget destaca o trabalho de Freinet.






Maria Montessori


Nasceu na Itália em 1870 em uma família de classe média e faleceu na Holanda em 1952.


Sempre foi uma pessoa à frente de seu tempo, foi a primeira mulher na Itália a doutorar-se em medicina. Especializou-se em pediatria e psiquiatria. Foi professora na Escola de Medicina de Roma e iniciou suas pesquisas sobre a aprendizagem como médica assistente em um hospital psiquiátrico com um grupo de crianças excepcionais.


É creditado a ela o desenvolvimento da sala de aula aberta, da educação individualizada, dos materiais de aprendizado para manipulação, brinquedos educativos e a instrução programada.






Célestin Freinet


Francês, nasceu em 1896 e faleceu em 1966. Desenvolveu seu método pedagógico a partir de 1920, usando o mínimo de materiais didáticos, fruto de seu trabalho em regiões pobres da França. Embora não tivesse uma sólida base teórica, a observação dos alunos forneceu-lhe uma série de dados que usaria para transformar radicalmente a forma de ensino.


Preso durante a II Guerra Mundial, trabalhou na alfabetização dos presos dentro do campo de concentração. Libertado em 1941, tornou-se membro da Resistência Francesa.






Rudolf Steiner






Austríaco, nasceu em 1861 e faleceu na Suíça em 1925. Formou-se em ciências exatas mas preferiu os estudos filosóficos e literários. Criador da Antroposofia.


Encarregado de cuidar de uma criança excepcional, considerada incurável, conseguiu que ela progredisse ao ponto de se formar em uma universidade. Em 1919, a pedido de um diretor da fábrica de cigarros Waldorf-Astoria, criou uma escola para os filhos dos funcionários.






Howard Gardner






Norte-americano, especializou-se em educação e neurologia pela Universidade de Harvard. É professor de Educação e co-diretor do Projeto Zero, no Harvard Graduate School of Education e professor adjunto de Neurologia na Boston University School of Medicine.


Autor de diversos livros, incluindo "Estruturas da Mente", "Inteligências Múltiplas: A teoria na prática", "A Criança Pré-Escolar: como pensa e como a escola pode ensiná-la" e, mais recentemente, "Mentes que Criam".


Sua teoria é confundida com as teses de seu colega Daniel Goleman, autor do best-seller Inteligência Emocional. É um crítico implacável dos testes de QI e de aptidão escolar. Considerado um dos principais pedagogos deste fim de século. Esteve no Brasil em 1997 para uma série de palestras.






Bibliografia:


Revista Educação n. 211 Nov/98 artigo de Luís Mauro Martino


Revista Educação n. 221 Set/99 artigo de Luís Mauro Martino


Site da Escola Curumim de Campinas - SP


Material pedagógico do IEEB


Fotos:


Piaget www.piaget.org


Montessori www.montessori.org


Freinet www.freinet.clic3.net


Steiner www.elib.com/Steiner


Gardner www.weac.org




Quadro comparativo




Papel do professor

O que fazer com alunos apáticos ou rebeldes

Como se realiza a aprendizagem

Construtivismo

Deve ser vigilante sem ser restritivo, procurando "antecipar" respostas possíveis, encorajando a criança a encontrá-las, aceitando hipóteses provisórias que surgem nas aulas.

As relações de conduta em sala de aula devem ser trabalhadas a partir de "contratos" nos quais todos têm as mesmas responsabilidades e direitos.

O conhecimento é construído a partir da interação entre a criança e o meio. Conhecer é agir.

Montessori

Seu dever principal é explicar o uso do material. O professor representa a ligação entre o material e a criança.

Cada criança tem seu espaço. Aos poucos consegue-se a normalização. Os rebeldes são isolados em um canto da sala enquanto os demais continuam suas atividades.

Na alfabetização usa-se o método fonético apresentando para a criança a letra e seu som. Associa-se o som a uma imagem conhecida.

Freinet

É um orientador, e deve usar seu conhecimento como instrumento de mediação. É amigo, age e aprende com os alunos.

À medida que as crianças propõe suas idéias e trabalhos, os apáticos e rebeldes vão se colocando no grupo e descobrirão o que gostam de fazer.

Tateamento experimental. A criança vai dando passos até acertar.

Waldorf

Profundo conhecedor do ser humano, deve usar o amor como base da relação com os alunos e ter qualidades artísticas, principalmente criatividade e fantasia.

São tratados pelo professor em sala de aula. Em casos mais graves, há o auxílio de um grupo pedagógico, que trabalha pela reintegração.

Varia conforme a faixa etária: 0 a 7 anos, por imitação; 7 a 14 por vivências emocionais e 14 a 21 por cognição intelectual.

Inteligências Múltiplas

É um "fisioterapeuta da inteligência". Deve abandonar o conceito unitário de inteligência e ver-se não como um repetidor de conceitos, mas como um estimulador de talentos.

Essas atitudes estão condicionadas ao aluno ter inteligências dinâmicas ou ignoradas pela escola. Uma criança com talento pictórico precisa de estímulos para escrever.

Inteligência não é apenas a capacidade de entender alguma coisa, mas também criatividade e compreensão.

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